Epilepsias
FAQ Orientação aos Pais

 

Uso de Medicações Anticonvulsivantes

  1. Só tomar este tipo de medicação por orientação e prescrição de médico habilitado e especialista nesta área (epilepsias infantis), preferencialmente um neurologista ou neuro-pediatra.
  2. Solicitar a explicação dos efeitos benéficos e colaterais destes medicamentos ao seu médico, assim como quais são exames de rotina (laboratório, EEG, etc..) a serem realizados para o acompanhamento de cada caso.
  3. Manter uma regularidade de visitas e exames junto ao especialista que acompanha a criança com um quadro de epilepsia.
  4. Manter a continuidade dos medicamentos prescritos, não suspendendo bruscamente nenhum anticonvulsivante sob o risco de desencadear crises prolongadas. Comunicar ao médico responsável pela prescrição do desejo de mudar ou suspender a medicação, e só realizar esta mudança ou suspensão sob orientação profissional e progressivamente.
  5. As medicações deverão ser administradas dentro dos horários prescritos, de acordo com as doses recomendadas para cada caso. E se as doses são prescritas para 03 (três) tomadas diárias, distribua-as da forma mais agradável e confortável para a criança, não havendo necessidade de acordar ou interromper o sono para dar um remédio.
  6. Em geral, as medicações podem estar associadas aos horários de alimentação, havendo hoje medicações que são preparadas para serem ingeridas junto com alimentos (pudins, gelatinas e bolos) sem prejuízo de seu efeito terapêutico (ex. Depakote Sprinkle).
  7. Quando, por acaso, se esquecer de dar uma das doses diárias recomendadas, procurar recuperar a dose ideal o quanto antes, e continuar as outras doses habituais. No caso de estar muito próximo do horário da dose seguinte, não tomar a dose em dobro. E se forem esquecidas mais de duas doses seguidas, num mesmo dia, procurar orientação junto ao médico responsável ou seu substituto.
  8. Quando a criança apresentar vômitos, logo após a ingestão do medicamento, deve-se repetir a dose dada, apenas sob a orientação do médico responsável ou seu substituto. E se a criança continuar a ter vômitos deve-se investigar a possibilidade de interferência da medicação na digestão e surgimento de efeitos indesejáveis do remédio.
  9. Manter sempre a medicação longe do calor e conservar sempre uma segunda caixa ou vidro (embalagem) intacta para eventuais emergências (perda de validade, quebra, acidentes com as embalagens, etc...).
  10. Somente usar medicação injetável, na forma endovenosa ou intramuscular, por orientação do médico responsável ou indicado pelo mesmo, em ambiente hospitalar ou sob cuidados especializados. Não aplicar estes medicamentos sem conhecimentos prévios dos possíveis efeitos colaterais que ocorrem em seu uso pontual ou prolongado.
  11. Observar a presença de sintomas clínicos associados ao uso prolongado de medicamentos anticonvulsivos (rash cutâneo, cefaléia, perda de apetite, dor na região abdominal, distúrbios do sono, etc...) e comunicar, o mais breve possível, ao médico responsável ou seu substituto, não suspendendo a medicação sem seu conhecimento e autorização.
  12. Procurar compreender e absorver os novos conceitos sobre epilepsias e seus tratamentos, buscando sempre novos conhecimentos e informações, utilizando o bom-senso e capacidade de entendimento como bases para uma boa e sincera relação com seu(s) médico(s) assistente(s). E não se esquecer que você(s) tem(êm) o direito de conhecer todos os efeitos de um medicamento, assim como o dever de buscar sempre novos recursos terapêuticos, visando o melhor e o mais atual para seu(s) filho(s), em termos de tratamento.

 

Relação das principais medicações utilizadas para o tratamento de Epilepsias:

Anticonvulsivante
Nome Genérico
Nome Comercial Alguns Efeitos
Colaterais
Ácido Valproico Depakene

Hepatotoxicidade, perda de cabelos,aumento de peso corporal, tremores, indisposição estomacal.

Acetazolamida Diamox

Perda de apetite, poliúria (aumento freqüência urinária), confusão mental, sonolência, parestesias de extremidades.

Clobazam Urbanil/Frisium

Sonolência, astenia, distúrbios sensoriais, tonteiras.

Divalproex Sodim Depakote

Hepatotoxicidade, indisposição estomacal, perda de cabelos, ganho de peso, tremores, alteração do tempo de sangramento.

Hidantoínas Dilantin

Insônia, rash cutêneo, perda de cabelos, aumento de gengivas, sangramento gengival, náuseas, incoordenação motora.

Lamotrigine Lamictal

Dor de cabeça (cefaléias), fadiga, náuseas, astenia, ataxia, visão borrada ou dupla, sonolência, rash.

Clonazepan Rivotril

Sonolência, mudanças de comportamento, tremores, perda de cabelo, perda de apetite, instabilidade na marcha, aumento de salivação e
secreção brônquica.

Nitrazepan Mogadon

Fadiga, apatia, debilidade e incoordenação motoras, letargia,  confusão mental, mudança do ritmo do sono, aumento das secreções brônquicas.

Carbamazepina Tegretol

Náuseas, visão borrada ou dupla, rash cutâneos, debilidade ou incoordenação motora, dor de cabeça, discrasias sanguíneas, aumento de peso corporal, fadiga.

Fenobarbital Gardenal

Inquietude, náuseas, visão borrada ou dupla, incoordenação da marcha, irritabilidade, hiperatividade, sonolência, transtornos de aprendizagem.

Primidona Mysoline

Vertigens, perda de apetite, fadiga, sonolência, hiper-irritabilidade, náuseas, vômitos, confusão mental.

Gabapentin Neurotin

Sonolência, fadiga.

Vigabatrim Sabril

Sonolência, fadiga, perda de peso.

Etosuximida Zarotin

Perda de apetite, náuseas, dores de cabeça, fadiga, ansiedade, depressão, dores abdominais, aumento do tamanho dos gânglios.

 

Bibliografia:

Convulsiones en la Infancia / 2ª Edição
Autores: Fejerman & Medina
Editorial El Ateneo - Buenos Aires - Argentina

Children With Epilepsy (A Parents Guide)
Autora: Reiner, Helen
Woodbine House, Bethesda, USA, 1988

Epilepsy Canada, Epilepsy Foundation of America (Manuais de Orientação)

Seizures and Epilepsy in Childhood: A Guide for Parents
Autores: Freeman, John M. & Vining, Eileen P. G. & Pillas, Diana J.
The John Hopkins University Press - Baltimore - USA - 1990

The Epilepsy Diet Treatment (Introducion to Ketogenic Diet)
Autores: Freeman, John M. & Kelly, Milecent T. & Freeman, Jennifer B.
Demos Vermande, New York, USA - 1996

Obs.: Este texto foi escrito para minha filha LUANA, que apresentou um quadro de espasmos infantis já seu período pós-natal, com confirmação diagnóstica no seu segundo mês de vida. Atualmente não apresenta convulsões, mas mantém uso de medicação anticonvulsivante e acompanhamento neuropediátrico.


Copyright © 1999 Dr. Jorge Márcio Pereira de Andrade - Rio de Janeiro - RJ - Brasil
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