CURSO CAPACITAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS NA ÁREA DE NECESSIDADES ESPECIAIS – TRABALHANDO COM A MÍDIA

RECIFE – 23 A 28 de maio de 2000

Novas Tecnologias, Comunicação e Educação Inclusiva

Docente:

Dr. Jorge Márcio Pereira de Andrade
Psiquiatra, presidente e fundador do DEFNET – Centro de Informática e Informações sobre Paralisias Cerebrais – RJ.

 

Introdução:


As Exclusões Sociais e as Políticas Públicas

Um dos conceitos chaves que estaremos desenvolvendo neste curso será o REDES, que não é uma invenção após o advento da INTERNET, nosso principal alvo de discussão e informação nesta busca de transmissão de conhecimentos. As REDES conhecimentos são uma necessidade que existem desde o início da existência humana. Porém somente após os anos 50 é que alguns adventos e invenções ( como a TELEVISÃO) nos fizeram olhar atentamente para as funções, aplicações e até os usos ideológicos e político-sociais das REDES de informações e conhecimento.

Vivemos sob o signo moderno da velocidade, e as inovações tecnológicas, pela sua atual rapidez de criação substituível, descartável e renovável, são para muitos algo de "assustador" ou gerador de "temor", e não raro ouvimos falar em TECNOFOBIA, e para alguns excessiva TECNOFILIA. Mas como já afirmei anteriormente, as Tecnologias não devem ser tratadas como o advento do apocalipse da humanidade, mas sim como uma busca consciente da criação de ABERTURAS para o futuro, como sonhos a serem realizados coletivamente, possíveis UTOPIAS CRIATIVAS.

Estaremos discutindo neste trabalho uma necessidade de uma visão do uso consciente e crítico das chamadas TECNOLOCIAS DA EDUCAÇÃO, e mais ainda das NOVAS TECNOLOGIAS APLICADAS NO CAMPO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL. Temos então que refletir é o quanto as Tecnologias, que não se restringem apenas às máquinas e ferramentas criadas pelas ciências, mas todos os equipamentos sociais que são criados pelo homem e pelas sociedades para seu bem-estar, conforto e aprimoramento ético-político e social, estão ainda de acordo com os princípios filosóficos de nossos ancestrais gregos, que no seu vislumbre do uso deste termo o implicou com uma pergunta: PARA QUE SERVEM ? A QUEM SERVEM ? as Tecnologias...

Por isso num País de milhares de Excluídos, esta multidão que tentamos não enxergar, se faz urgente uma revisão do que vem sendo implementado e implantado como práticas de políticas públicas para o processo de socialização e democratização dos recursos e informações que possam ajudar nas políticas educacionais brasileiras. Há dois projetos em ação pelo governo de Fernando Henrique Cardoso: o TV ESCOLA e o Projeto de Informatização das Escolas Públicas Brasileiras (PROINFO – Programa Nacional de Informática na Educação).

Não haverá espaço aqui para discutirmos, com profundidade, o processo excludente que queremos combater, uma demorada explicação destes projetos, mas cabe uma mínima informação sobre o PROINFO, já que desde o ano de 1998 venho propondo e insistindo , com apoio e a participação de professores universitários (como a Prof. Leny Magalhães, da Fac. de Educação da USP, ou o Prof. José Armando Valente, do NIED-UNICAMP) numa aplicação de recursos econômicos e processos de capacitação de professores em relação ao uso de INFORMÁTICA EM EDUCAÇÃO ESPECIAL.

Apontei e aponto nesta busca de uma implentação de recursos que se façam ações planejadas da criação de Bancos de Dados, Difusão de Informações, Aplicação de recursos de Multimídia, Televisão e Vídeo, em procedimentos integrados e interdependentes, com uma visão voltada também para grande população de excluídos destes projetos: as pessoas com necessidades educacionais especiais, em especial os deficientes. E todo este processo inserido no elementar trabalho de capacitação da interface insubstituível: os professores, e em especial os do ensino regular, que serão e são os mais solicitados neste momento de transição e mudança de paradigmas educacionais.

O novo paradigma da INCLUSÃO, da escola à Sociedade para Todos, tem estremecido os pré-conceitos que as práticas e os discursos anteriores forjaram sobre e pelos dEficientes. Podemos levantar alguns pontos para esclarecer os pontos que caracterizam uma EDUCAÇÃO a ser chamada de INCLUSIVA:

  1. o termo Inclusão vem sendo utilizado para clarificar e esclarecer, em contraponto ao de Integração, para afirmar que `TODAS` as crianças necessitam estar incluídas no processo educacional, e mais especificamente ( como em alguns países onde esta práxis já conquistou seu espaço social ) nas escolas do bairro ou comunitárias, indo além na afirmação de que também devem estar INCLUÍDAS na vida SOCIAL, e não apenas `dentro`da escola regular.
  2. O enfoque da Educação Inclusiva exige uma proposta de mudanças de visão institucional, donde poderem se transformar em analisadores, como mecanismos que tornariam claros e identificáveis os entraves das instituições dentro e fora das escolas, assim como esclareceriam a situação mais ampliada da educação e suas práticas político-pedagógicas.
  3. Estas mudanças não se restringem apenas a uma modificação da acessibilidade e diminuição de barreiras e preconceitos, pois que estes são os mais visíveis, mas exige que se faça uma tentativa revolucionária e micropolítica de construir um sistema que inclua as diferenças sem contudo promover uma massificação homogeneizante dos alunos.
  4. Ao se propor para uma escola que tem por princípios reproduzir o modelo excludente, ou seja uma parcela considerável dos cidadãos não tem acesso a ela, uma àbertura`e reconhecimento de sua exclusão do alunado com necessidades educacionais especiais, inicia-se um processo de questionamento institucional do papel e função político-social da educação, dos educadores e das escolas como fundamentadores da cidadania.
  5. Como já definiram Stainback e Stainback (1992) uma escola inclusiva será aquela que educa a todos os estudantes dentro de um sistema educativo único, proporcionando-lhes programas educacionais apropriados, que sejam estimulantes e adequados às capacidades e necessidades singulares de cada aluno, havendo ainda um apoio e treinamento para os professores, além de uma ativa participação dos familiares dentro da escola.
  6. Para estes pontos se alicerçarem é que proponho a introdução das novas Tecnologias em educação como veículo, suporte, capacitação, aprendizado e transformação da escola, do professores, dos alunos e de todos os implicados no processo pedagógico das crianças e jovens com necessidades especiais ou não. O uso adequado, consciente, científico e programado de recursos da Informática, por exemplo, podem facilitar e alimentar um rico aprendizado entre deficientes e não deficientes, que aprendem a lição fundamental proposta pela UNESCO: APRENDER A APRENDER VIVER JUNTOS "desenvolvendo a compreensão do outro e a percepção das interdependências- realizar projetos comuns e preparar para gerir conflitos – no respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mútua e da paz" (Educação Um Tesouro a Descobrir).
  7. Portanto o conceito de INCLUSÃO não está e nem pode ser dissociado do desejo e da necessidade de mudanças educacionais profundas, onde apenas uma nova conceituação ou nome para o processo educacional não bastam. Pode-se dizer que " a inclusão é uma atitude, uma convicção, uma proposta político-pedagógicas, um desejo de mudanças nos paradigmas educacionais e de convívio social e político. Ë UMA VONTADE PROFUNDA DE RESPEITAR E RECONHECER AS DIFERENÇAS HUMANAS , PROPONDO UMA NOÇÃO DE IGUALDADE SEM HOMOGENEIZAÇÃO OU MASSIFICAÇÃO"...(Andrade, J.M.P- 1999 – Congresso Convivendo com a Diferença no III Milênio – Recife-PE).
  8. Retomo a afirmação que tenho defendido, desde 1996, da necessidade de uma ação político social para que o `processo` de inclusão social e escolar possa se viabilizar. Nele, a Educação Especial não seja extinta pelo surgimento de um novo processo educacional, mas será `absorvida` e transformada no contato com os princípios filosóficos da Educação Inclusiva.
  9. Segundo os sonhos de nossa associação, o DefNet, e seguindo a nossa luta pelo direito à educação, conforme os fundamentos dos DIREITOS HUMANOS, por parte das pessoas com necessidades educacionais especiais, o processo de inclusão escolar é: "um compromisso POLÍTICO-SOCIAL com a mudança de qualidade da Educação para todos os cidadãos brasileiros " ( Andrade, J.M.P – Inclusão na Escola no Brasil).

Poderíamos concluir que esta proposta de incluir todas as crianças, no mesmo nível de faixa etária, e junto com seus amigos e vizinhos, numa mesma escola, o mais próximo de sua residência, com uma atenção especial a um currículo reformulado de acordo com as necessidades individuais e multiculturais do alunado, com os apoios necessários para o processo de ensino-aprendizagem ( da instituição, da comunidade, dos educadores, dos alunos e das suas famílias) colocará em ação uma proposta LIBERTÁRIA de educar. Nela se insere, indiscutivelmente, uma outra proposta, a de CIDADANIA REALIZADA, que pressupõe interação comunitária, consolidada por políticas públicas e a participação ativa dos próprios dEficientes, seus pais e os profissionais que os atendem ou servem (incluindo-se aí os profissionais da Saúde).

 

HISTÓRICO, PRÁTICAS POLÍTICAS E SOCIALIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES

Como já afirmei anteriormente necessitamos de uma prática ativa de CIDADANIA para que possamos superar as nossas imensas DESIGUALDADES SOCIAIS, que atingem a maioria da população brasileira, e se tornam mais ainda excludentes quando tratamos da questão dos DEFICIENTES ou pessoas com necessidades especiais no nosso País.

A história do surgimento de uma prática de socialização de informações se entrelaça, no Brasil, com sua própria história, pois primeiro `existimos `enquanto uma `terra `a ser descoberta, e ao completarmos 500 anos, ainda estamos presos ao nosso primeiro estatuto de informação social: A CARTA DE PERO VAZ DE CAMINHA.

Somos mais uma vez primeiramente um território incógnito e vasto, a ser conquistado e explorado, um povo a ser civilizado e religiosamente educado, para depois podermos ascender a condição de um `PAÍS DO FUTURO`. Mas como todo EL DORADO que se preze também surpreendemos, pois somos hoje um dos países do mundo globalizado com o maior crescimento da maior rede atual de informação: a TELEVISÃO. Como já disse anteriormente este é um dos maiores entrelaçadores de comunicação na aldeia global, embora também sejamos hoje um dos maiores e mais ativos produtores desta mídia no mundo, apenas estamos começando o seu uso ativo no processo de Tecnologia Educacional, principalmente o ENSINO à DISTÂNCIA (TV ESCOLA).

Mas a grande surpresa do nosso País-PAU-BRASIL é o crescimento vertiginoso da INTERNET, que surpreende e fascina a todas as outras mídias neste momento. Foram rápidas as mudanças no uso dessa tecnologia que nasceu nos EUA, nos anos 60/70, dentro de uma proposta de defesa militar, tornando-se nos anos 80 uma REDE de cunho acadêmico, logo superando os BBS (bulletin board system). Na década de 90 (1992) o Brasil entrou com muita força na GRANDE REDE , a WWW, a INTERNET. De apenas uns poucos `internautas ` ( talvez apenas 1.000) passamos, em 08 (oito) anos, para a casa dos 4 milhões. Este mesmo fato já anotei anteriormente no campo dos sites para as pessoas com dEficiência, afirmando que de apenas 06 a 08 sites em 1996, ano em que lançamos pioneiramente o DEFNET, passamos hoje para um número (estimado e em crescimento)de mais de 300 sites ( se contarmos apenas os links em língua portuguesa que já cadastramos).

Entretanto, o crescimento das TECNOLOGIAS e de seus recursos nem sempre são acompanhados pela sua democratização, assim como a evolução das práticas de Direitos das pessoas com necessidades especiais.

Há um defasagem no campo da utilização de recursos tecnológicos e de informação para as pessoas com necessidades especiais no Brasil. Enquanto temos uma profusa produção de recursos ( de softwares educacionais, de hardware adaptado, de tecnologia auxiliar ou assistiva, tanto nacional como importada) não se constata uma real distribuição de sua utilização e difusão eqüitativa por todo o território nacional. Há ainda a tradicional concentração de seu uso e pesquisa desta TECNOLOGIA "ESPECIAL" nos centros mais desenvolvidos e de maior prestígio político e econômico. E para tal afirmação basta comparar os estados do Rio de Janeiro (antigo centro de poder econômico e político) e São Paulo (atual campeão de recordes industriais, econômicos, políticos e sociais, inclusive nas desigualdades...).

Precisamos pensar em termos da produção hodierna de SUBJETIVIDADES, com uma homem assoberbado por uma nova relação espaço-tempo, sufocado pela Macropolítica neoliberal, que prega uma megafusão que ultrapassa os limites dos bancos, industrias e grandes conglomerados econômicos, indo para o já anunciado CMI (Capitalismo Mundial Integrado) por Felix Guattari nos anos 70, com uma profunda desterritorialização do sujeito que tem de enfrentar os monopólios da informação e da comunicação massificada.

Por este motivo é que concordamos com Pierre Lévy que: " os instrumentos da comunicação e do pensamento coletivo não serão reinventados sem que se reinvente a democracia, uma democracia distribuída por toda parte, ativa, molecular "..., e devemos nos recusar entregar o nosso futuro nas mãos de um mecanismo supostamente inteligente, seja um computador pessoal ou a própria Internet, pois que como, ferramentas criadas para servir ao Homem, precisam ser novamente redimensionadas em uma perspectiva MICROPOLÍTICA, ÉTICA e REVOLUCIONÁRIA .

 

COMUNICAÇÃO, INTERNET E SOCIEDADE INCLUSIVA

Já afirmei que a informação é a DIFERENÇA que faz a Diferença, pois somente disponibilizar informações não é o suficiente em tempos de superexposição às mesmas.

Os novos paradigmas em construção do MUNDO GLOBALIZANTE exigem uma mudança também na preparação dos cidadãos, e no caso específico dos que tem necessidades especiais, para a convivência com uma sociedade do CIBERESPAÇO.

Acredito e sonho com um uso mais democrático das novas ferramentas disponibilizadas pelos avanços científicos, e em particular para as pessoas com necessidades especiais, onde a COMUNICAÇÃO tem um papel imprescindível na garantia de seus Direitos Humanos e da sua Equiparação de Oportunidades. Foi e é nesta perspectiva que venho trabalhando com a INTERNET desde o ano de 1996, quando criamos ( com apoio de uma provedora de acesso, a Montreal Informática do RJ) o primeiro site em português sobre as Paralisias Cerebrais, às quais denomino de Distúrbio de Eficiência Física (DEF), como uma proposta de mudança dos preconceitos que sempre cercaram e ainda cercam os que vivem com a condição de serem pessoas com a chamada Paralisia Cerebral.

A INTERNET é hoje um veículo de transformação das sociedades, e inegavelmente já entrou em todos os poros do planeta, e muito embora não seja uma ferramenta inócua, ela pode ser usada por todas as ideologias, tendências ou perspectivas, indo das mais nobres ações como o CLIK FOME até sites dedicados ao racismo, exploração sexual ou facismos de toda ordem. A versão de HIPERTEXTO desta infovia ( a www) é hoje um dos principais caminhos a percorrer na busca da INCLUSÃO SOCIAL dos dEficientes.

E o que é esta TEIA DE ALCANCE MUNDIAL? literalmente falando, a Web é uma espetacular e grandiosa coleção de ARQUIVOS DE COMPUTADOR espalhada por toda a Internet, que ultrapassou em milhares os milhões de PÁGINAS (HOMEPAGES) que formam os SITES (conjunto de páginas de um tema na Web). E toda esta revolução se deve ao fato que por se tratar de um HIPERTEXTO, a WEB não é organizada linearmente como um livro ou outro tipo de apresentação de informações ( Wall , David – 1997). Podemos dizer após alguns minutos de `navegação’ , que a WWW não tem princípio e nem fim. Podemos ir de LINK em LINK até o infinito, pois este é o princípio dos hipervínculos.

Mas devemos nos perguntar: será esta CIBERCULTURA ( veja Pierre Lévy) mais um mecanismo globalizado de EXCLUSÃO SOCIAL? Teremos de verificar que nesta rede o maior crescimento NÃO é apenas dos SITES COMERCIAIS, dos mais ricos, dos mais aparelhados ( micro, telefone, vídeo, câmeras, etc...) pois há uma silenciosa e dinâmica ação em REDE SOCIAL, principalmente nos países da América Latina.

Neste fim de século XX podemos confirmar com isto o que declarou, nos Anos 50, o cientista Albert Einstein, sobre as três BOMBAS que `nos `explodiram : a bomba demográfica, a bomba atômica e a bomba das TELECOMUNICAÇÕES. Esta ainda está explodindo sobre nossas cabeças e em nossas subjetividades.

Como nos diz Lévy:

..."A quantidade bruta de dados disponíveis se multiplica e acelera. A densidade dos links entre as informações aumenta vertiginosamente nos bancos de dados, nos hipertextos e nas redes. Os contatos transversais entre os indivíduos proliferam de forma anárquica. É O TRANSBORDAMENTO CAÓTICO DAS INFORMAÇÕES, a inundação dos dados, as águas tumultuosas e os turbilhões da comunicação, a cacofonia e psitacismo ensurdecedor das mídias, a guerra das imagens, as propagandas e as contrapropagandas, a confusão dos espíritos...".

E O QUE FAZER PARA QUE TENHAMOS UM CONHECIMENTO NASCENTE DE CADA AÇÃO EDUCATIVA DA DIFUSÃO DE INFORMAÇÕES ???

Primeiramente, temos que nos guiar pelos princípios dos DIREITOS HUMANOS, apostando, mesmo que sendo chamados de SONHADORES, em um Futuro sem exclusões, onde a busca da convivência, ou melhor ainda, o respeito com as diferenças, sejam elas quais forem.

Como já afirmei, no Congresso Convivendo com a Diferença no III Milênio (Recife, 1999), ao falar de Direitos Humanos e Inclusão , será necessário reforçamos todas as ações concretas que podem e devem ser desenvolvidas pelos educadores, escolas, responsáveis pelas políticas educacionais, e também nos difusores de qualquer forma de mídia, para que os seguintes princípios sejam aplicados:

  1. Que a educação e os educadores ( aí se incluem todos que tem a tarefa de aprender e ensinar, dos professores à família, assim como os que transmitem informações de utilidade pública, como jornalistas, escritores, apresentadores de TV, radialistas, etc...) possam afirmar cada vez mais a INTERDISCIPLINARIDADE e a PLURALIDADE, caminhando a passos largos e firmes para uma construção conjunta do conhecimento, defendendo a trans-formação alinhada com as comunidades, as famílias, os professores, os educandos, sejam eles com ou sem deficiências.
  2. Que as barreiras de toda ordem possam ser evidenciadas, denunciadas e demolidas para que o acesso a informações e o conhecimento seja uma garantia real para todos os cidadãos. Que a ESCOLA INCLUSIVA se torna uma experiência primordial em direção a uma abertura para as diferenças, e o combate seja complementado com a prática de políticas públicas que encontrem ressonância concreta na sociedade, defendendo-se a gratuidade do ensino fundamental e das escolas públicas de qualidade, com as mesmas condições de crescimento e aprimoramento de todas as escolas.
  3. Que as Tecnologias educacionais possam ser realmente socializadas e socializantes, visando uma justificativa ética e transformadora da utilização das Tecnologias. É nosso desejo que a aplicação das ferramentas de comunicação como princípio da busca da coletivização dos conhecimentos e dos desejos não leve a uma hiperindividualização narcisista e excludente do OUTRO.
  4. Que com o apoio e participação ativa de todas as MÍDIAS continuemos lutando micropoliticamente contra as marginalizações ( não confundindo marginalidade com as minorias ), e não legitimação dos mecanismos de segregação e exclusão pelos estigmas e estereótipos que fundamentam os preconceitos sociais, culturais, étnicos, religiosos ou de condição de vida, principalmente no campo das dEficiências.
  5. Que se capacitem todos os educadores na utilização das novas tecnologias digitais para atuarem como facilitadores e interfaces num processo construcionista do conhecimento. E que se disponibilizem todos os recursos necessários para que este processo seja estendido aos alunos com necessidades educacionais especiais, com a difusão de uso dos computadores, multimídia e todos os recursos, assistivos ou não, necessários para que sua acessibilidade seja garantida, dos sites aos centros de pesquisas universitárias.

 

TECNOLOGIAS DA INTELIGÊNCIA E CIBERESPAÇO

O conceito se Tecnologias Digitais da Inteligência foi elaborado pelo filósofo Pierre Lévy (1993) como uma proposta de uma inteligência distribuída por toda parte, que deve ser incessantemente valorizada, pois para ele: "a inteligência coletiva só tem início com a cultura e cresce com ela... Num COLETIVO INTELIGENTE, a comunidade assume como objetivo a negociação permanente da ordem estabelecida, de sua linguagem, do papel de cada um, o discernimento e a definição de seus objetos, a reinterpretação de sua memória ...". Nestes coletivos da modernidade virtual, a exemplo da INTERNET, os sujeitos passariam a uma busca incansável de não discriminação e não criação de castas ou guetos. Nesta perspectiva seríamos todos SINGULARES, MÚLTIPLOS, NÔMADES E EM VIAS DE METAMORFOSE (OU DE APRENDIZADO) PERMANENTE.

Dentro desta proposta teríamos um alinhamento com a idéia filosófica da INCLUSÃO com a utilização da INFOVIA, propondo-se um novo humanismo, que cai fora do "conheça-te a ti mesmo" e caminha através dos chats e dos encontros virtuais para um "aprendamos a nos conhecer para pensar juntos", e através de uma engenharia do "laço social". Um dos núcleos geradores desse processo seria a proposta de uma ecologia humana, pois como diz o filósofo Pierre Lévy : "NADA É MAIS PRECIOSO QUE O HUMANO. Ele é a fonte das outras riquezas, critério e portador vivo de todo valor ...".

A proposta de inclusão escolar deveria ser complementada por um estratégica implicação de todos os responsáveis por este processo, na busca da reformulação de nossos princípios de convivência social, e neste sentido cabe bem a ação centrada nas COMUNIDADES, inclusive as VIRTUAIS, onde poderíamos tentar a difusão dos princípios de uma sociedade baseada na Inteligência Coletiva, na Ecologia Humana e na aplicação dos Direitos Humanos.

Não esquecer de combater um falso humanitarismo ideológico que algumas práticas macropolíticas tem empreendido como proposta de transformação social com o uso das tecnologias. Não se combatem as exclusões com falsas campanhas de marketing político, mas sim com ativas propostas de intervenção social, nas quais se insere o chamado Terceiro Setor (ONGs), com respeito aos princípios inclusivos:

  • CELEBRAÇÃO DAS DIFERENÇAS
  • DIREITO DE PERTENCER
  • VALORIZAÇÃO DA DIVERSIDADE HUMANA
  • SOLIDARIEDADE HUMANITÁRIA
  • IGUAL IMPORTÂNCIA DAS MINORIAS
  • CIDADANIA COM QUALIDADE DE VIDA (Sassaki, Romeu K. 1997).

Neste sentido acredito e luto para que o Ciberespaço e a Cibercultura possam contribuir para a construção de novas e criativas formas de organização econômica e social centradas nas inteligências coletivas e numa busca incessante do que é diferente, diverso e vem de nossas alteridades. Proclamaremos um tempo dos sujeitos e não dos sujeitados, da servidão humana e da exploração capitalística dos homens.

 

B.I.T.S. – BUSCANDO INFORMAÇÕES QUE TRANSFORMEM A SOCIEDADE

Há uma rede que precisamos alicerçar , como mais uma BITNET (Because It`s Time Network), é mais uma rede mundial acessável e acessível pela Internet com características educacionais. Uma rede com ACESSO UNIVERSAL, uma rede sem exclusões.

A idéia de uma nova proposta de REDE de informações com o nome de B.I.T.S me vem ocorrendo desde uma participação em debate sobre as REDES SOCIAIS de INFORMAÇÃO, pelo Instituto Imagem e Cidadania do RJ, quando do lançamento de um excelente e louvável trabalho junto a jovens de classes sociais desfavorecidas que se tornaram criadores e designers de páginas da WEB. Ao imaginar um processo mais ampliado de `contágio` de nossa sociedade adormecida para as múltiplas realidades sociais que nos cercam, para que também pudéssemos ir além e tivéssemos as pessoas com necessidades especiais incluídos nesta perspectiva do ato criador e da geração de novos espaços de inserção social e laborativa para os mesmos.

Precisamos associar à idéia de transformação de mentalidades a proposta concreta de transformação do uso e utilidade das ferramentas tecnológicas, nesta virada para o tão esperado Novo Milênio, pois nem o computador deve ser visto como um máquina escrever sofisticada, nem a Internet como apenas um entretenimento alternativo ou conectado a uma suposta televisão "interativa". Estas ferramentas devem e precisam ser vistas como TECNOLOGIAS DA INTELIGÊNCIA com o poder político de transformar vidas, portanto exigindo uma constante atenção e cuidado éticos, assim como uma consistente base educacional, pedagógica e multicultural. Somente assim estas tecnologias estarão a serviço dos homens, dentro de suas potencialidades e em pleno uso de suas capacidades criativas.

Vivemos num país de contrastes gritantes, onde apenas um cidadão rico eqüivale a 50 outros considerados pobres, portanto excluídos da maioria dos direitos que o podem dignificar como sujeito e nomeá-lo ser humano. Há ainda um tradicional preconceito instituído de que "brasileiros são assim mesmo" (Eluf & Pinsky), portanto que todas as segregações e preconceitos estão por princípio justificados por nossas origens étnicas ou então por nosso espírito "macunaímico" , o que nos obriga a perguntar: Será que todo brasileiro é preguiçoso ? E isto é porque todos nós descendemos ( com nossos pés na cozinha) de negros escravos e índios em extermínio ? ou pior ainda como pensa o BID (Banco Interamericano para o Desenvolvimento) de que os povos "tropicais" têm menor desenvolvimento que o resto do mundo , e assim justifica-se seu estado de dependência político-econômica dos chamados mais desenvolvidos ?

Nós estamos todos imersos em caudalosos sentimentos preconceituosos, e na maior parte do tempo estamos reproduzindo e alimentando alguma forma rancorosa ou disfarçada de preconceito com os outros, sejam eles quem forem.

SOMOS UM PAÍS DE PIXAINS, CARCAMANOS, JAPAS, ALEIJÕES, CARECAS, ESTRANJAS, PARAÍBAS, GRINGOS, BUGRES, MAMELUCOS, LOUCOS,VEADOS, OUTROS BICHOS E BICHEIROS, e não menos que um País que tem uma população estatisticamente subestimada de mais de 17.000 000 (dezessete milhões) de brasukas com alguma deficiência, que também sofrem discriminações e violações de seus Direitos Humanos quotidianamente.

POSSO CONTAR AQUELA PIADA DO GAGO ??? OU VOCÊS PREFEREM AQUELA DO MUDINHO OU DO CEGUINHO ???? Se queremos contrariar a frase DE GAULLIANA, se queremos nos transformar na terra na qual a SOCIEDADE INCLUSIVA venha a gerar seus multiplicadores, precisamos, caros cidadãos, de um urgente reconhecimento de nossos preconceitos mais recônditos, pois não bastará reconhecermos nossos frágeis argumentos para a manutenção de atitudes preconceituosas, é necessário que também passemos ao combate com ardor de todas as formas de discriminação e exclusão em nós mesmos.

A inclusão escolar por seu princípio educativo de convivência com as diferenças pode ser um germinador de consciências transformadoras para o futuro, já que a virtualização das relações humanas e sua conseqüências já estão em processo de consolidação, e se as escolas, apoiadas por todos os meios de mídia, se tornarem ambientes originais e menos restritivos, espaços de cooperação amistosa, espaços de trocas solidárias de conhecimento e informações, nascente de milhões de redes internaúticas e telemáticas com jovens e crianças intercambiando suas múltiplas formas de ver e sentir os mundos que vivemos.

Como todo bom sonhador, a moda de John Lennon, Martin Luther King e outros chamados de ‘utópicos` ou `visionários `, afirmo que este Projeto de um trabalho social e micropolítico, no caminho da inclusão deverá se nortear pelo que nos aponta Carina G. Lion, nos questionando sobre a aplicação das tecnologias em educação:

  • "Cada sociedade cria, recria, pensa, repensa, DESEJA e age sobre o mundo através da tecnologia e outros sistemas simbólicos. A tecnologia é impensável sem admitir a relação entre o homem e a sociedade.
  • "A tecnologia não é neutra, obedece a jogos de poderes e a leis de mercado próprias da sociedade na qual está inserida.
  • "O sistema educacional , em geral, e a escola, em particular, apropriam-se das produções tecnológicas desde um ponto ético, político-ideológico, pedagógico e didático determinado.
  • "Os impactos da tecnologia atravessam a escola. As instituições educacionais, como já se mencionou, não apenas `consomem ` como também produzem tecnologia: materiais para o ensino, software, guias de leitura e de observação de vídeos, decodificação das mensagens dos meios de comunicação de massa, incorporação do jornal na aula, etc..."

Enfim, precisamos BUSCAR INFORMAÇÕES QUE TRANSFORMEM A SOCIEDADE, utilizando as produções tecnológicas e os meios de comunicação de forma responsável e com a suavidade e ternura de homens que buscam sinceramente aprender a aprender , não se contentando com apenas a invenção de novas técnicas ou ferramentas, mas sim invenção de sentido. Homens interessados que esses recursos passem a gerar novas vidas.

"Tudo que dá um sentido à Vida também o dá à Morte..." (Terre des Hommes - Antoine de Saint-Exupéry -1900-1944)

* In memoriam de YURI DE ANDRADE CHAINE (1987-2000)

 

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SITES INDICADOS PARA PESQUISA EM NOVAS TECNOLOGIAS /EDUCAÇÃO/ MÍDIA/INCLUSÃO


DEFNET – Centro de Informática e Informações sobre Paralisias Cerebrais
em especial os links de INFORMÁTICA

NIED - Núcleo de Informática aplicada à Educação
http://www.nied.unicamp.br

RITS – Rede de Informações para o Terceiro Setor
http://www.rits.org.br

Escola do Futuro
http://www.futuro.usp.br

Projeto Aprendiz
http://www.aprendiz.com.br

Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro
http://www.bibvirt.futuro.usp.br

Educação On Line
http://www.regra.com/educacao

Projeto Caleidoscópio
http://www.aleph.com.br/caleidoscopio/

Projeto Mutirão Digital
http://www.mutirao.futuro.usp.br

CLIK Tecnologia Assistiva
http://www.clik.com.br

RIBIE – Rede Ibero Americana de Informática Educativa
http://www.inf-cr.ulm.es/outra_inf/inf.edu/ribie/ribie.html

Rede SACI – Solidariedade, Apoio, Comunicação e Informação
http://www.saci.org.br

Instituto Imagem e Cidadania do Rio de Janeiro
http://www.unikey.com/ImagemCidadania

CIDEF – Centro de Inovação Tecnológica para Deficientes
http://www.terravista.pt/guincho/1194/indexpt.htm

EduTecNet – Rede de Tecnologia na Educação
http://www.edutecnet.com.br

EUSTAT - Ensino Assistido por Computador
http://www.siva.it/research/eustat/deliver0-4-3_Summary.html

Exclusion.net
http://www.exclusion.net/pt/indexptfr.html

Guia Português pelas Iniciativas em Acessibilidade
http://www.acessibilidade.net

TECNONEET – 2000 – I Congresso Nacional de Nuevas Tecnologias Y Necessidades Educativas Especiales
http://www.f-integra.org/tecnoneet

PROINFO – Programa Nacional de Informática na Educação
http://www.proinfo.gov.br/instituição/diretrizes.shtm

INCLUSIVE TECHNOLOGIES
http://www.inclusive.com/

DISABILITIES AND COMPUTING PROGRAM
http://www.dcp.ucla.edu/

ADAPTIVE TECHNOLOGY RESOURCE
http://www.utoronto.ca/atrc/reference/tech/techgloss.html

DISCAPACIDAD Y TECNOLOGIA EN ESPAÑA
http://www.eunet.es/InterStand/discapacidad/acc_ti.htm

 

 

ANEXO 1 - BREVE HISTÓRIA DA INTERNET

 

Autor - JORGE MÁRCIO PEREIRA DE ANDRADE

Fontes:

Enciclopédia da Rede – Revista Internet.BR – Leria, Luis – 1998 – vol . 1
The Internet Society (http://www.isoc.org/guest /zakon/internet/history/HIT.html)
BBN Technologies (http://www.bbn.com/)

1957 – A União Soviética (atual Rússia) ao lançar o primeiro satélite artificial, o Sputnik, levaram os EUA a formar um projeto militar, o ARPA (Advanced Research Projects Agency), como tentativa de manter a hegemonia no campo da tecnologia e da ciência para fins bélicos.

1965 – A ARPANET patrocina um estudo entitulado "A Competitive NETWORK of Time Sharing COMPUTERS" ou seja Uma REDE Competitiva com COMPUTADORES Interligados Simultaneamente.

1967 – Os primeiros passos para a criação de um protoloco para troca de mensagens entre computadores é discutido pela ARPA.

1969 – O Departamento de Defesa dos EUA contrata um grupo de pesquisadores nas àreas acadêmica e de negócios para colaborar com a ARPANET, são selecionados quatro lugares para pesquisa: UCLA – Universidade de Los Angeles, o SRI – Stanford Research Institute, a USCB – Universidade da Califórnia em Santa Bárbara e a Universidade de UTAH.

1970 – É criado o Network Control Protocol (NPC), precursor do TCP (Transmission Control Protocol).

1971 – Os computadores da ARPANET estão conectados a cerca de 24 lugares diferentes.

1972 – Na International Conference on Computer Comunication, em Washington, é realizada a primeira demonstração pública da ARPANET; Ray Tomlinson , da BBN Tecnhologies envia seu primeiro E-MAIL.

1973 – É feita a primeira conexão INTERNACIONAL da Arpanet, entre a INGLATERRA E A NORUEGA.

1974 – Vinton Cerf e Bob Kahn, da ARPA publicam "A Protocol for Packet Network Interconection", definindo o Trasmission Control Protocol (TCP) que permite a COMUNIÇÃO por computadores via um SISTEMA DE REDES.

1979 – Surge a USENET

1980 - A Arpanet conecta mais de 400 hosts em universidades, no governo e em organismos militares, mais de 10.000 (DEZ MIL) PESSOAS TEM ACESSO à REDE.

1983 – O TCP/IP ( Transmition Control Protocol / INTERNET PROTOCOL) é estabelecido. A INTERNET COMEÇA A SURGIR.

1984 – É criado o DNS (Domain Name Server) , o número de hosts da Arpanet ultrapassa MIL(1000).

1986 – A ARPANET COMEÇA A SER DENOMINADA INTERNET

1987 – Mais de quatro mil (4000) BBS (Bulletin Board System) estão ligados em rede, o crescimento da REDE dificulta o acesso da comunidade acadêmica – é o embrião da INTERNET 2.

1988 – Registra-se a marca de 77.448.692 pacotes transmitidos pela Arpanet, e começa o seu desmantelamento, o INTERNET RELAY CHAT (IRC) é desenvolvido por Jarkko Oikarinen.

1989 – A Arpanet desaparece, o número de hosts Internet passa de 100 mil, o número de requisições de arquivos, via FTP (File Transfer Protocol) chega a mil por mês.

1990 – O BRASIL (.BR) se conecta à NSFNET juntamente com a Argentina (.ar), a Áustria (.at), a Bélgica (.be), o Chile (.cl), a Grécia (.gr), a Índia (.in), a Irlanda (.ie), a Coréia do Sul (.kr), a Espanha (.es) e a Suiça (.ch).

1991 – É lançada a WORLD WIDE WEB, criada pelo inglês TIM BERNERS-LEE, que trabalhava no Laboratório Europeu para Física de Partículas , com um programa , que era ao mesmo tempo um browser (navegador) e um editor de páginas, que chamou de WWW.

Neste ano também são criados o GOPHER e o PGP (Pretty Good Privacy), criado por Philip Zimmerman.

1992 – A INTERNET une 17 mil redes em 33 países, o número de sites da Web é de 50 (cinquenta), a Internet Society é fundada, temos mais de 1 milhão de hosts ligados à Internet e a expressão "surfando na internet" é cunhada por Jean Armour Polly.

No BRASIL inicia-se a REDE quando a FAPESP e a UFRJ conseguem ativar dois circuitos de 64 kb/s com a INTERNET dos EUA.

1993 – Mais de 100 países estão conectados à REDE. O número de sites é de 150.

1994 – O número de usuários comerciais EXPLODE: já são dois para cada usuário acadêmico, em julho/94 são mais de 03 milhões de host existentes na Internet.

1995– Nos EUA surgem os grandes PROVEDORES DE ACESSO, como a PRODIGY, a AMERICA ONLINE (AOL) e a COMPUSERVE, e em julho/94 já se estima um número de 30 milhões (30.000.000) de pessoas conectadas à Internet, e o número de sites já era de 25.000 (vinte e cinco mil). A Internet começa a ser utilizada por navegadores fora das universidades no Brasil.

1996 – NASCE O DEFNET. O número de sites pula para 300.000 (trezentos mil). Começa a guerra dos browsers entre a NETSCAPE e a MICROSOFT. É lançado o ICQ pela empresa israelense Mirabilis. É dada a largada em Chicago para a Internet 2 por 34 universidades norte-americanas.

1997 – Na manhã de 17 de julho, um erro humano na Networks Solutions interrompe o tráfego nos endereços com terminações ‘.com` e `.net `tornando inatingíveis milhões de sistemas no mundo todo. O número de sites é de 1.200.000 (hum milhão e duzentos).

1998 – É iniciado o processo pelo Departamento de Justiça dos EUA contra BILL GATES e a MICROSOFT para impedir a cartelização dos browsers, pois a Microsoft queria instalar ( e instalou) o INTERNET EXPLORER em todas as máquinas com WINDOWS (quase 80% do mercado mundial de computadores pessoais). Já temos mais de 151 milhões de usuários (chamados de INTERNAUTAS) conectados à Internet, e um número de mais de 2.450.000 (dois milhões e quatrocentos e cinquenta mil ) sites criados na WWW, em janeiro deste ano, passando no mês de Julho para 4.270.000 (quatro milhões e duzentos e setenta mil) sites na internet.

1999 – Há um saudável movimento pela ACESSIBILIDADE da WWW por parte dos seus usuários com Deficiências, e os conceitos do UNIVERSAL DESIGN começam a produzir efeitos sobre a criação, navegabilidade e acesso às páginas de QUALQUER site na Internet.

Em Portugal todos os sites ligados ao Governo são submetidos às normas e princípios que regem a acessibilibade e visitabilidade dos seus endereços por pessoas com necessidades especiais, sendo uma iniciativa a ser seguida por diversos outros países.

O número de usuários no mundo é de mais de 158,7 milhões (cento e cinquenta e oito milhões e setecentos mil).

No Brasil apenas 2,5 % da população tem acesso à Internet, sendo que é intensificada a implantação do Programa Nacional de Informatização das Escolas (PROINFO) com a proposta de atingir a 6000 escolas de ensino regular em todo País.

2000 – O número de usuários no mundo ultrapassa a casa dos 248,6 milhões ( duzentos e quarenta e oito milhões e seiscentos mil), sendo que 131,1 milhões são usuários do Canadá e dos EUA, e apenas 2, 36 milhões na África. Existe uma previsão de que o BRASIL chegará a mais de 4,5 milhões até o final deste ano. Há um boom e ao mesmo tempo uma tempestade ligada à Internet, pois ao mesmo tempo que crescem vertiginosamente os sites comerciais e as vendas pela net, também assistimos ao sobe-desce vertiginoso da bolsa de valores ligada `high`tecnologia norte americana, a NASDAQ, com início no julgamento de BILL GATES (leia-se MICROSOFT), em abril, quando a Justiça americana determinou que sua empresa violou as leis antitrustes dos EUA.

No Brasil assistimos a entrada da INTERNET de forma maçiça nas campanhas de marketing de produtos, e cresce o número de PORTAIS que oferecem e-mails gratuitos para os usuários, e se implanta um processo de difusão do chamado E-COMMERCE.

Realizada uma reunião de mais de 2500 pessoas na HOLANDA para a CHI 2000 – "COMPUTER HUMAN-INTERACTION CONFERENCE", organizada pela Association For Computing Machinery, no início de abril, cujo tema foi "O FUTURO ESTÁ AQUI"....

Ë o tempo do surgimento de uma geração de Jovens que foram batizados, a moda dos YUPPIES dos anos 80, como sendo os YETTIES ( Young Entrepeneurial Tech-based) que pode ser traduzido como Jovens Empreendedores Ligados à Tecnologia). Uma nova tribo ou gangue tecnológica disposta a usar sem limites as novas tecnologias e a informática.

Segundo pesquisa publicada em março de 2000, pela revista Internet.br, 60 % dos internautas adultos americanos preferem escrever e-mails a ir ao correio comum e 57% dos homens priorizam as mensagens de negócios...

Em 04 de maio de 2000 um novo VÍRUS e suas mutações se espalha na Internet, contaminando mais de 45 milhões de máquinas, causando um prejuízo de aproximadamente 2,6 bilhões de dólares (segundo informação da Computers Economic, uma empresa dedicada apenas a pesquisa em tecnologia – Folha de São Paulo ). Eis o surgimento de uma nova forma de contágio ou peste-negra : a EPIDEMIA VIRTUAL. Este novo vírus tem um nome simples ,com um profundo apelo, em sua mensagem enviada através dos e-mails: I LOVE YOU...

FICA A PERGUNTA SEM RESPOSTA:

PARA QUE SERVEM , QUAIS OS RUMOS, QUAL A REAL UTILIDADE, A QUEM SERVEM, E QUAL É O LIMITE DOS USOS DAS TECNOLOGIAS MODERNAS ?

 

Endereços para pesquisa de dados:

http://www.canalweb.com.br/internetbr

http://www.fapesp.br

http://www.gomez.com

PARA INFORMAÇÕES SOBRE DEFICIÊNCIAS - CONSULTE OS LINKS DO DEFNET, em especial o tópico INFORMÁTICA.

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